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8 PRINCÍPIOS PARA PROJETAR CALÇADAS SEGURAS E ACESSÍVEIS

16 de junho de 2017

Nova York, nos EUA, é exemplo de como o espaço urbano pode se revitalizar e atrair mais pessoas. | Foto: NYC-DOT

Andar a pé é a forma mais democrática de se locomover. É o meio de transporte mais antigo e o mais recorrente em todo o mundo e não tem custo nenhum além de algumas calorias.

Apesar disso, as pessoas caminham cada vez menos. Seja porque as cidades estão mais espalhadas, seja porque as calçadas, vias por onde as pessoas caminham, são verdadeiros obstáculos. Falta de pavimento, largura inadequada e veículos estacionados irregularmente são apenas alguns dos indícios de que as calçadas estão sendo sufocadas, há décadas, por outros meios de transporte menos saudáveis – tanto para os usuários quanto para as cidades.

É preciso uma injeção de ânimo para que os pedestres retornem às ruas. A qualidade das calçadas pode ser potencializada, não apenas para atrair mais pedestres, mas também para tornar-se um espaço agradável, onde as pessoas querem estar e conviver.

Esses lugares existem. Calçadas vivas são vistas em muitas cidades do Brasil e do mundo que tornaram o transporte a pé uma prioridade. Em vez de apenas pavimentar uma reduzida faixa ao longo de suntuosas avenidas dominadas pelos automóveis, estas cidades decidiram enriquecer ainda mais o espaço, privilegiando o convívio entre as pessoas.

Calçadas são construídas a partir de oito princípios, complementares e interligados. Juntos eles não apenas qualificam uma calçada adequada, mas direcionam para o desenvolvimento de cidades ativas e saudáveis.

Conheça os oito princípios da calçada:

1- Dimensionamento adequado

As três faixas de uma calçada bem dimensionada. | Foto: Luísa Schardong-EMBARQ Brasil.

A calçada é composta por uma faixa livre, onde transitam os pedestres, uma faixa de serviço, onde está alocado o mobiliário urbano – como bancos e lixeiras –  e uma faixa de transição, onde se dá o acesso às edificações. Ter conhecimento desses componentes facilita o dimensionamento adequado das calçadas.

2- Superfície qualificada

Blocos intertravados devem ser assentados corretamente para qualificar uma calçada acessível. | Foto: Luísa Zottis-EMBARQ Brasil.

Regular, firme, estável e antiderrapante. Essas são as características básicas do pavimento da calçada. Para assegurá-las, é necessário estar atento ao processo construtivo e à qualidade da mão-de-obra, não apenas ao projeto.

3- Drenagem eficiente

Jardins de chuva auxiliam na drenagem de calçada. | Foto: Glen Dake.

Um local alagado é impróprio para caminhada. Calçadas que acumulam água tornam-se inúteis para os pedestres, que acabam desviando sua rota pelo leito dos carros, arriscando a sua segurança.

4- Acessibilidade universal

Projeto Calçadas Verdes e Acessíveis. Vencedor do Prêmio Mobilidade Minuto da IVM Cidade em Movimento. | Foto: Gilmar Altamirano.

A calçada, como espaço público, deve ser acessível a pessoas com diferentes características antropométricas e sensoriais: desde pessoas com restrição de mobilidade, como usuários de cadeira de rodas e idosos, até pessoas com necessidades especiais passageiras, como um usuário ocasional de muletas ou uma mulher grávida. Listar essas características é uma boa forma de refletir sobre como atender às necessidades de todos os pedestres.

5- Conexões seguras

A extensão do meio-fio diminui a exposição dos pedestres ao tráfego de veículos. | Foto: Marta Obelheiro-EMBARQ Brasil.

O caminho percorrido pelos pedestres envolve pontos de transição com elementos urbanísticos, como vias dedicadas aos veículos e pontos de parada do transporte coletivo. É importante que as conexões entre esses elementos sejam acessíveis e seguras.

6- Espaço atraente

Calçadas sombreadas e pavimentadas com materiais claros, que refletem a luz solar evitam as ilhas de calor. | Foto: FAU-USP

Ao caminhar nas ruas, os pedestres entram em contato com o ambiente urbano. As calçadas podem desempenhar um papel importante para tornar essa experiência mais agradável. Cativar as pessoas para que se locomovam a pé é uma forma de incentivar o exercício físico e diminuir os congestionamentos nas cidades.

7- Segurança permanente

Fachadas variadas, contínuas e transparentes integram espaço público e privado, aumentando a sensação de segurança dos pedestres. | Foto: Mariana Gil-EMBARQ Brasil

Durante o dia ou a noite, em dias úteis ou em fins de semana, as calçadas estão sempre abertas para as pessoas. Porém, são menos utilizadas em determinados períodos, que se tornam inseguros por falta de vigília – não da polícia, mas dos próprios pedestres. Adotar estratégias para influenciar positivamente na segurança dos pedestres pode tornar as calçadas mais vivas.

8- Sinalização coerente

Sinalização informativa em Londres mostra onde o pedestre pode chegar em 5 minutos de caminhada. | Foto: Charlotte Gilhooly.

Assim como os motoristas de veículos automotores, os pedestres também necessitam de informações claras para saber como se comportar e se localizar no ambiente urbano.

Algumas sugestões de inserção dos produtos da Ecotelhado nas nossas cidades:

Ecopavimento

O Ecopavimento é um piso que, instalado sobre uma superfície permeável, permite a passagem da água e do ar evitando o acúmulo de água na superfície. É feito de grelhas alveoladas de plástico reciclado, e suporta um peso compatível à base aonde será colocado. Pode ser colocado tanto sobre brita quanto para grama.

Benefícios:

Ajuda na prevenção de enchentes;

Reduz as ilhas de calor;

Faz recarga dos aquíferos subterrâneos;

Mantém as vazões dos cursos de água nas épocas de seca;

Controla a poluição do pluvial;

Aumenta a filtragem e o tratamento da água da chuva com retenção de sólidos em suspensão;

Ecodreno

O Ecodreno é um sistema de retenção, drenagem e infiltração de água da chuva. Funciona como uma cisterna modulada subterrânea, deixando espaço livre para trânsito.

A água armazenada pode ser usada uso na irrigação de plantas, na descarga de sanitários ou como infiltração para recarga de aquíferos. O sistema é feito principalmente de plástico reciclado, formando colunas, dando estrutura ao dreno urbano e impedindo seu desmoronamento.

Benefícios:

Diminui o gasto de água de abastecimento, porque armazena chuva em cisternas ou reservatórios;

Reduz os picos de volume de água nos leitos dos rios, reduzindo o risco de enchentes nas cidades;

Pode ser usado como reservatório de água contra incêndioreservatório de água industrial ou como cisterna para captação de água para irrigação de telhado verde, jardim vertical ou brise vegetal;

É fácil de ser instalado sob jardins, estacionamentos ou pavimentos permeáveis.

Ecobueiro

Ecobueiro seria uma alternativa para o tratamento das bocas de lobo dos nossos ambientes urbanos. 

Funcionaria como grande uma floreira, que brevemente trataria essa água antes de chegar aos rios pois passaria pelo jardim, reduzindo assim o tempo de escoamento desta água, já aproveitando para irrigar o jardim, e também resgataria o lixo que, normalmente é levado aos rios pelos bueiros. Esse lixo ficaria depositado no bueiro, resgatado pela grade do Ecopavimento, como demonstra na foto, e assim poderia ser retirado na coleta. 

Legal não é? E quais suas ideias para melhorarmos nossos ambientes urbanos pensando em alternativas para sistemas que já são ultrapassados?

 

Referencias | Archdaily; WRI

Adaptação e edição | Catarina Schmitz Feijó

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