Desempenho térmico de telhados verdes: como o Ecotelhado reduz calor e consumo de energia

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A busca por edificações mais eficientes e cidades mais resilientes passa, inevitavelmente, pelo desempenho térmico das coberturas. É nesse contexto que o telhado verde se consolida como uma solução técnica e ambientalmente estratégica.

Na Ecotelhado, o desenvolvimento de sistemas construtivos sempre esteve fundamentado em pesquisa, validação técnica e parcerias com instituições especializadas. Desde 2008, a partir do primeiro protótipo do sistema, simulações e análises técnicas vêm demonstrando resultados consistentes sobre o impacto positivo do telhado verde no conforto térmico e na eficiência energética das edificações.

Como o telhado verde melhora o desempenho térmico da edificação

Estudos e simulações indicam que o sistema de telhado verde atua como um eficiente controle térmico, reduzindo significativamente a transferência de calor para o interior da edificação.

Na prática, isso significa:

  • Redução média de aproximadamente 3 °C na temperatura da cobertura;
  • Menor ganho de calor para o ambiente interno;
  • Redução da carga térmica nos sistemas de climatização;
  • Maior estabilidade térmica ao longo do dia;
  • Diminuição dos picos de calor em períodos de alta insolação.

Esse conjunto de fatores contribui para uma redução média de cerca de 26% no consumo de energia, impactando diretamente os custos operacionais e o desempenho ambiental do edifício.

Ou seja: além de conforto térmico, o telhado verde gera economia e eficiência.

Simulações com EnergyPlus: desempenho comparável a 5 cm de isolamento

Um dado técnico frequentemente citado é a condutividade térmica equivalente do sistema Ecotelhado.

Simulações realizadas com o software EnergyPlus indicam que o desempenho térmico do sistema é comparável ao de uma camada de 5 cm de isolamento térmico convencional.

Com uma vantagem importante: o telhado verde não oferece apenas isolamento. Ele também agrega benefícios:

  • Ambientais
  • Hídricos
  • Paisagísticos
  • Ecológicos

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Telhados verdes e a mitigação da ilha de calor urbana

Quando ampliamos a análise para a escala urbana, os benefícios se tornam ainda mais relevantes.

A literatura técnica aponta que a implementação massiva de telhados verdes pode gerar:

  • Redução média de 1 °C a 2 °C na temperatura do ar urbano, dependendo da densidade, clima e cobertura vegetal;
  • Mitigação do efeito de ilha de calor;
  • Melhoria do conforto térmico externo, especialmente em áreas densamente urbanizadas.

Em estudo citado pelo pesquisador Stewart Gaffin, estima-se que, se toda a área de telhados de Nova York fosse convertida em telhados verdes, a cidade poderia registrar uma redução próxima de 2 °F, o equivalente a aproximadamente 1,1 °C na temperatura média urbana.

Pode parecer pouco, mas, em termos climáticos e urbanos, essa diferença é altamente significativa, especialmente quando associada à redução de eventos extremos de calor.

Benefícios do Ecotelhado em números

Abaixo, uma síntese dos principais indicadores técnicos do sistema:

Para cada 1 m²:

  • Retenção média de 35 litros de água da chuva
  • Contribuição para biodiversidade urbana

Para 100 m²:

  • Retenção aproximada de 3.500 litros de água
  • Redução de 3 °C a 4 °C na temperatura da cobertura
  • Redução média de 1 °C a 2 °C na temperatura do ar urbano
  • Economia estimada entre R$ 3.000 e R$ 5.000 por ano
  • Redução de cerca de 26% no consumo de energia
  • Aumento da presença de aves, abelhas e outros polinizadores

Infraestrutura verde começa pelo topo

Como exercício urbano, observe os telhados ao seu redor.
Quantos deles poderiam estar retendo água, reduzindo calor ou abrigando vida?

Muitas vezes, a cidade que sentimos ao nível da rua começa alguns metros acima do nosso campo de visão.

Investir em telhados verdes não é apenas uma decisão estética ou ambiental — é uma estratégia técnica para melhorar o desempenho térmico das edificações, reduzir custos operacionais e tornar as cidades mais resilientes às mudanças climáticas.

Autora: Catarina Schmitz Feijó