Pouca informação dificulta construções sustentáveis no Brasil? Saiba mais

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Construções sustentáveis ganham destaque no debate global sobre o futuro das cidades, porém, apesar do avanço do setor, o Brasil ainda enfrenta os impactos da falta de informação técnica qualificada, que entrava a arquitetura verde no país.

Segundo o Barômetro da Construção Sustentável, um estudo global conduzido pela Saint-Gobain, em parceria com a Occurrence-Ifop, construções sustentáveis são apontadas como prioridade por 79% dos profissionais do setor no Brasil. 

Porém, apenas 9% deles afirmam se sentirem realmente preparados para aplicar práticas sustentáveis nos projetos.

Esses números revelam que, apesar do setor reconhecer a necessidade e a importância da sustentabilidade, ainda encontra dificuldades na hora de colocá-la em prática. 

A barreira, muitas vezes, nasce da compreensão limitada do conceito de construções sustentáveis, que vai muito além da simples escolha de materiais ecologicamente corretos na obra. 

Sem esse entendimento técnico mais amplo, projetos acabam adotando medidas pontuais, sem alcançar o desempenho ambiental e urbano esperado.

Continue a leitura e saiba mais sobre como a falta de informação leva a ausência de um planejamento e impacta políticas públicas, projetos e investimentos.

O cenário atual das construções sustentáveis no Brasil 

O Barômetro da Construção Civil, da Saint-Gobain, traz outro dado interessante, revelando que 42% dos profissionais que atuam nas diversas áreas do setor associam construção sustentável ao uso de materiais ecológicos e práticas ambientalmente corretas na obra.

Sustentabilidade é um conceito amplo, que envolve o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e impacto social. 

Ela considera como as atividades humanas utilizam recursos naturais, geram resíduos e influenciam a qualidade de vida das pessoas no presente e no futuro.

Já a construção sustentável é a aplicação prática desses princípios. Trata-se de planejar, projetar, executar e operar edificações de forma eficiente:

  • reduzindo impactos ambientais, 
  • otimizando o uso de energia e água
  • melhorando o conforto térmico e acústico,
  • promovendo integração com o entorno urbano e natural.

Ou seja, trata-se de uma abordagem integrada que considera o todo ciclo de vida do empreendimento.

Segundo dados da Markets and Data, empresa de inteligência especializada em relatórios de pesquisa de mercado padronizados, no Brasil o mercado de construções sustentáveis deve crescer a uma taxa anual de 8,83% entre 2025 e 2032, passando de US$ 34,28 bilhões em 2024 para US$ 67,95 bilhões em 2032. 

A mesma fonte informa que o Brasil ocupava a 9ª posição no ranking global de certificações LEED em 2024, com 125 edifícios certificados e mais de 2 milhões de m² construídos.

Como a desinformação impacta projetos, investimentos e políticas públicas?

Apesar do avanço e do reconhecimento internacional, a consolidação das construções sustentáveis ainda é limitada pela falta de informação técnica, capacitação profissional e maior compreensão pública sobre seus benefícios estruturais e urbanos.

Ainda é comum o pensamento de que soluções sustentáveis são inviáveis financeiramente, quando quem investe afirma que o custo é compensado pela redução de despesas operacionais ao longo do tempo.

Sem contar que profissionais que não dominam conceitos e desconhecem soluções mais viáveis tendem a optar por alternativas convencionais, muitas vezes mais onerosas no ciclo de vida do edifício.

Também impacta os investimentos. Incorporadores podem deixar de apostar em diferenciais sustentáveis por receio de baixa valorização de mercado, mesmo diante de uma demanda crescente por empreendimentos mais saudáveis e resilientes.

Além disso, políticas públicas e privadas dependem de base técnica sólida. 

Nesse sentido, a falta de conhecimento embasado pode atrasar legislações de incentivo e iniciativas privadas que incentivem e favoreçam sistemas sustentáveis.

Caminhos para ampliar o conhecimento e impulsionar construções sustentáveis

Superar a barreira da informação exige uma estratégia integrada e a educação técnica e ambiental é um dos pilares centrais na preparação de profissionais qualificados.

A divulgação de estudos, dados e cases reais também é essencial. Por isso, projetos bem-sucedidos são compartilhados, confirmando desempenho térmico, eficiência hídrica e valorização imobiliária, assim o mercado ganha confiança para replicar ou se inspirar no modelo.

Nesse sentido, empresas especializadas, como a Ecotelhado, contribuem efetivamente na promoção do conhecimento ao oferecer suporte técnico, especificações detalhadas e sistemas testados, facilitando a incorporação de soluções biofílicas em diferentes tipologias de empreendimentos. 

Por fim, incentivos fiscais, certificações ambientais e legislações urbanas claras funcionam como motores de transformação. 

Quanto mais alinhadas estiverem as políticas públicas com metas ambientais e urbanas, maior será a busca pela informação e consolidação das construções sustentáveis no país.

Ou seja, o interesse e a vontade de fazer diferente é o primeiro passo para o Brasil avançar em construções sustentáveis.

Agora, que tal continuar aqui no blog e conferir o exemplo alemão dos telhados verdes que o Brasil pode aprender?