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TELHADOS VERDES SÃO RELEVANTES PARA CERTIFICAÇÃO DE CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS?

20 de abril de 2017

Campus Unisinos em Porto Alegre tem soluções sustentáveis

Construir de modo sustentável parece ser uma boa aposta – e os telhados verdes são fundamentais para isso. Mesmo diante dos desafios econômicos e políticos do país, o crescimento da construção sustentável segue, e investir neste segmento não é bom somente para a imagem das empresas: financeiramente, é vantajoso – é o que aponta o estudo publicado neste ano pelo GBCBrasil, e divulgado aqui no blog,  comparando o desempenho de mercado dos empreendimentos comerciais certificados e não certificados no país. 

Trago a discussão sobre o impacto desta tecnologia na valorização dos imóveis – e a forma mais confiável para se medir isso é através dos programas de certificação de desempenho ambiental.

Atualmente existem no Brasil 5 sistemas de certificação conectados ao mercado de construção civil, são eles:

1- Certificação LEED (Leadership in Energy and Enviromental Design): Tendo como origem o norte americano, este é o sistema para certificação e orientação ambiental para edificações mais utilizado no mundo hoje em dia. Utilizado em 143 países, tem alta influência no mercado de construção civil. Quem confere as certificações no país é o Green Building Council Brasil (GBCB), braço da ONG internacional criado no Brasil em março de 2007 para auxiliar no desenvolvimento da indústria da construção sustentável no país.

2- Selo Procel Edifica: O Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações – Procel Edifica – foi instituído em 2003 pela Eletrobras/Procel e atua de forma conjunta com o Ministérios de Minas e Energia, o Ministério das Cidades, as universidades, os centros de pesquisa e entidades das áreas governamental, tecnológica, econômica e de desenvolvimento, além do setor da construção civil. O Selo Procel Edificações, é um instrumento de adesão voluntária que tem por propósito identificar as edificações que apresentem as classificações mais superiores de eficiência energética em uma dada categoria.

3- FSC Brasil: Apesar de não ser um sistema de certificação de obra propriamente dito, o selo FSC tem importância crucial para redução dos impactos negativos da cadeia da construção civil no Brasil – responsável pelo consumo de mais de 60% de toda madeira derrubada na Amazônia. O FSC (Forest Stewardship Council) é uma organização independente, não governamental, sem fins lucrativos, criada para promover o manejo florestal responsável ao redor do mundo. O conceito da certificação FSC surgiu para instigar a compra de materiais e produtos à base de madeira proveniente de manejo responsável das florestas. Hoje, a instituição é uma das que mais tem credibilidade quando se trata de certificar a origem sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros provenientes do bom manejo florestal.

4- Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal: a Caixa criou uma classificação socioambiental para os projetos habitacionais que financia. O Selo Casa Azul é a forma que o banco encontrou de promover o uso racional de recursos naturais nas construções e a melhoria da qualidade da habitação. O principal propósito é reconhecer projetos que adotam soluções eficientes na construção, uso, ocupação e manutenção dos edifícios.

5- Certificação AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental): O Processo AQUA-HQE é uma certificação internacional da construção sustentável desenvolvida a partir da certificação francesa Démarche HQE (Haute Qualité Environmentale) e aplicada no Brasil a partir de 2008 pela Fundação Vanzolini. Mantendo a base conceitual francesa, a certificação brasileira foi adaptada para a realidade de normas e práticas do país.

Telhado verde integrado com as placas fotovoltaicas

Porém, um Ecotelhado é capaz de impactar fortemente qualquer sistema de certificação ambiental, pois diferente de outras tecnologias, atua simultaneamente em diversos eixos de sustentabilidade. É o que chamamos de impacto sistêmico.

O telhado verde é um dos itens que mais contribuem para obter o LEED e nenhuma ação sozinha pontua tanto como sua instalação. A novidade é que, com outras tecnologias integradas, é possível chegar a pontuar nas sete dimensões da certificação, na perspectiva do selo LEED. Segundo análises de consultoria, ele (aliado a outras tecnologias, como a fotovoltaica e utilização de horta) contribui significativamente para conquista de 28 pontos em 7 créditos diferentes, mais da metade dos créditos necessários para a certificação mínima, são eles:

– Espaços abertos;

– Manejo de água da chuva;

– Redução de ilhas de calor;

– Redução de consumo de água em áreas externas;

– Performance energética;

– Conforto térmico;

– Produção local de alimentos.

No selo LEED, para obter a certificação mínima, são necessários pelo menos 40 pontos, 50 pontos para o selo Silver, 60 pontos para o selo Gold, e 80 pontos ou mais para o selo Platinum.

Antes e depois de uma cobertura. Telhado verde criando um diferente microclima para a cidade.

 

Aqui na Ecotelhado, a ideia é ampliar os benefícios do teto verde. Nós já começamos a instalar telhados com cisterna para captação de água da chuva. É o caso de um prédio localizado na Faria Lima, em São Paulo, que obteve a certificação LEED com a somatória da pontuação da cobertura verde. Ele também pode ser integrado a placas fotovoltaicas para captação de energia solar, e ter iluminação embaixo do telhado, com um piso transparente e além de que é possível plantar outras espécies no telhado, apenas adicionando um pouco mais de substrato, estabelecendo diversos microclimas nos telhados das cidades.

“O telhado verde conquistou seu espaço, mas hoje precisamos ir além dos benefícios iniciais que priorizavam o conforto térmico. A grande preocupação é a questão da água. Precisamos ter um telhado verde capaz de se irrigar e de fazer o reuso. Inovamos neste sentido”, diz João Manuel Feijó, um dos diretores da empresa.

Também propusemos em fazer o tratamento dos resíduos orgânicos das edificações. A água pode ser tratada internamente por meio de um sistema biofílico e armazenada na cisterna do telhado verde, ampliando sua reserva e sendo bastante eficaz em épocas de seca. “Não dá para pensar em construção sustentável e arquitetura verde sem incorporar o telhado verde e aproveitá-lo de forma mais eficiente”, ressalta João.

Então, dado os fatos, a conclusão é que o telhado verde chega a contribuir com mais da metade da pontuação mínima necessária e, portanto, ajuda bastante neste processo, e esse resultado faz todo sentido, justamente por ter esse caráter sistêmico que esta tecnologia proporciona.

Telhado verde com horta no restaurante Daya & Ture em São Paulo

 

Referências | Brasil Engenharia; GBC Brasil; Iclei; Isto É; Cidade Jardim

Texto e edição | Catarina Schmitz Feijó

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